CARTA PASTORAL AO POVO DE OLINDA E RECIFE
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
querido povo de Deus da Arquidiocese de Olinda e Recife,
Ao chegar o momento de encerrar minha missão como Arcebispo Metropolitano desta amada Igreja, meu coração se enche de gratidão e de ternura. Não é fácil colocar em palavras tudo o que vivi, o que aprendi e o que recebi nestes meses de pastoreio junto de vocês.
Recordo com emoção o início desta caminhada, ainda nos tempos em que esta Igreja era uma simples Prelazia, e eu, recém-chegado, fui acolhido com o coração aberto e generoso de um povo que sempre soube amar seus pastores. Desde então, aprendi que ser bispo é, antes de tudo, estar disposto a caminhar junto, a servir e a doar a vida por amor ao Evangelho.
Dou graças a Deus por cada pessoa que encontrei ao longo deste caminho sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, leigos e leigas. Cada um de vocês foi sinal vivo da presença de Cristo.
Nas alegrias e nas cruzes, encontrei em cada rosto a esperança do Reino e a certeza de que a Igreja é viva, bela e santa, mesmo em meio às suas fragilidades humanas.
Com profunda reverência, elevo também minha gratidão ao Santo Padre João Paulo III, de venerável memória, que me confiou a essa missão de cuidar desse povo querido de Olinda e Recife. Foi ele quem me estendeu a mão com generosidade, acreditando em meu serviço e confirmando minha fé.
Hoje, ao recordá-lo, peço a Deus que o recompense no Céu pelo bem que fez à Igreja e pelo testemunho de fidelidade que deixou.
De igual modo, agradeço ao Santo Padre Pio II, nosso atual Sucessor de Pedro, por sua solicitude e paternal carinho para comigo. Sua presença firme e doce tem sido para mim um sinal do amor de Cristo que não abandona sua Igreja, mesmo nos momentos de transição e mudança.
Ao olhar para trás, vejo uma história tecida de amor e serviço. Tudo o que se realizou não foi obra de um homem, mas fruto da graça de Deus e da colaboração de tantos corações generosos. Se alguma semente foi lançada, foi Ele quem a fez germinar; se algum fruto amadureceu, foi o Espírito Santo quem o fez crescer.
Hoje, ao me despedir, não o faço como quem parte, mas como quem confia. Sei que o Senhor prepara um novo pastor, um homem de fé e de coragem, que virá para conduzir esta Arquidiocese com o mesmo amor com que Cristo amou a sua Igreja.
Peço que o acolham com o mesmo carinho e respeito com que sempre me acolheram. Ajudem-no, rezem por ele, caminhem com ele pois o bispo não é um solitário, mas um irmão entre irmãos, um pastor que precisa do seu povo para poder amar e servir bem.
Levo comigo a lembrança viva de cada rosto, cada comunidade, cada gesto de carinho e oração. Se em algo pequei, peço perdão. Se em algo pude ser sinal de Cristo, dou graças a Deus.
Aos meus irmãos do clero, aos consagrados e consagradas, aos colaboradores da Cúria, aos leigos engajados nas pastorais, movimentos e serviços, deixo meu sincero “muito obrigado”.
Deus, que começou em nós esta obra, há de levá-la à plenitude.
Confio todos vocês ao coração materno de Nossa Senhora do Carmo, Rainha e Padroeira desta Arquidiocese. Que Ela continue intercedendo por este povo fiel, que tanto amo e sempre amarei.
Olinda, 19 de outubro de 2025
