Sermão Dominical | Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo



PADRE LUAN KELVINI SANTOS 
POR MERCÊ DE DEUS E DA ARQUIDIOCESE METROPOLITANA 
ADMINISTRADOR ARQUIDIOCESANO TEMPORÁRIO 

Olinda e Recife, 23 de novamente de 2025.

Amados irmãos e irmãs em Cristo, ao chegarmos ao último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja nos convida a contemplar com profunda reverência e fé a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Tudo o que rezamos, celebramos e vivemos ao longo deste ano encontra hoje seu sentido mais elevado: Cristo é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim (Ap 1,8). Nele começa e Nele termina toda a história da salvação.

Desde o Advento que abrimos com expectativa — “Preparai o caminho do Senhor” (Is 40,3) — até a alegria da Páscoa — “Ele não está aqui; ressuscitou” (Lc 24,6) — fomos guiados pelo mistério de Cristo. E agora, ao concluir este ciclo, a Igreja nos apresenta Aquele que é o centro de tudo: o Rei cujo Reino não é deste mundo (Jo 18,36).

    O REINO QUE NASCE NA CRUZ:
O Evangelho deste dia nos recorda que Cristo reina de forma única: não domina pela força, mas pelo amor;
não exige servos, mas forma discípulos;
não impõe poder, mas oferece misericórdia.

Quando interrogado por Pilatos, Jesus afirmou:
“Eu para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). Seu reinado é a verdade do amor que se entrega.

O trono deste Rei é a Cruz. Ali se cumpre a profecia:
“O governo está sobre os seus ombros” (Is 9,5).
E ali Ele manifesta Seu senhorio universal quando promete ao bom ladrão: “Hoje ainda estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

São Paulo nos recorda que Cristo é “o primogênito de toda a criação” e que “todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele” (Cl 1,15-17). Celebrar Cristo Rei é confessar que Ele é o sentido do cosmos, da história e da nossa própria vida.

  ELE REINA, MAS DEVE REINAR É NOS!

Se Cristo é Rei do Universo, é também Rei do nosso coração. O encerramento do Ano Litúrgico é uma oportunidade de perguntar a nós mesmos:

– Cristo reina nos meus pensamentos?
– Reina nas minhas decisões?
– Reina na minha família, no meu trabalho, nos meus relacionamentos?
– Ele é realmente o centro da minha vida?

O apóstolo Paulo nos exorta: “Que Cristo habite pela fé em vossos corações” (Ef 3,17). Se Cristo não reina em nós, Seu Reino não se manifesta através de nós.

Por isso, ao fechar este ano litúrgico, somos chamados a encerrar também tudo aquilo que não pertence ao Reino de Deus:
– Encerrar as atitudes que nos afastam do Evangelho (cf. Rm 13,12).
– Encerrar a falta de perdão (cf. Mt 18,21-22).
– Encerrar a indiferença espiritual (cf. Ap 2,4).
– Encerrar as trevas da vida que impedem que sejamos luz no mundo (cf. Mt 5,14).

  O REINO QUE VEM!
A Solenidade de Cristo Rei nos aponta para o futuro, para a promessa escatológica: “O Seu Reino não terá fim” (Lc 1,33). E, na visão do Apocalipse, contemplamos o Cristo glorioso: “Revestido de poder e glória, e todos os povos o servirão” (cf. Ap 7,9-10).

O novo Ano Litúrgico que se aproxima no Advento nos lembra que o Reino continua a crescer, silenciosamente, dentro de nós (cf. Lc 17,21). É o Reino anunciado aos pobres, libertador, misericordioso, pacífico: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus” (Mt 6,33).

Queridos irmãos, ao celebrarmos Cristo Rei, renovemos hoje nossa fidelidade ao Senhor que se entrega por nós. Que Ele reine nas nossas escolhas, nos nossos gestos, nas nossas palavras e em nossas paróquias. Que reine na nossa Arquidiocese de Olinda e Recife, conduzindo-nos sempre em unidade, missão e verdade.

E ao concluirmos mais um Ano Litúrgico, proclamemos com a Igreja inteira: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20)
Reina em nós, reina na tua Igreja, reina no mundo inteiro.

Assim seja, amém!

Pe. Luan Kelvini Santos 
Administrador Arquidiocese temporário.

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